Amigos(as),
Em primeiro lugar, gostaria de oferecer minhas sinceras condolências e o meu pesar aos pais das jovens Alessandra Aguillar e Daiane Mesquita, ambas falecidas ao serem atingidas por parte da estrutura de um brinquedo em um parque de diversões na madruga deste último domingo, em Vargem Grande. Nenhum pai merece passar pela dor de enterrar um filho, portanto, peço a Deus, encarecidamente, que lhes dê conforto e que receba em seus braços estas meninas de sonhos agora inconclusos.
Ainda que estejamos todos tomados pela dor, precisamos apurar os fatos para atribuir a responsabilidade a quem de direito sobre a perda destas vidas e os ferimentos causados em outras oito pessoas. O brinquedo de onde se desprendeu o carrinho que causou o acidente já foi vistoriado pelos peritos e o resultado sairá em dez dias. A direção do parque afirma ter ocorrido uma lamentável fatalidade, no entanto, peritos encontraram indícios de que os brinquedos não tinham manutenção nem mesmo condições adequadas para funcionar. O engenheiro responsável pelo Atestado de Responsabilidade Técnica emitido para balizar o funcionamento do parque será chamado pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – CREA, para oferecer explicações sobre o ocorrido e sobre as condições precárias das estruturas dos mecanismos eletro-eletrônicos. Ademais, segundo veiculado pelos jornais, o parque não tinha sequer alvará de funcionamento.
Além do pesar e da busca pela responsabilidade sobre o que aconteceu, preciso expor aqui, também, o que cabe à Câmara Municipal do Rio de Janeiro em face do ocorrido. Recorrendo a um breve retrospecto, tivemos, em 2009, uma sessão no Plenário na qual votamos o Projeto de Lei Complementar nº 18 de 2009, de autoria do ex-Vereador Otávio Leite, que condiciona a emissão do alvará de funcionamento dos parques pela Prefeitura à apresentação de um laudo pericial dos brinquedos, feito por profissional devidamente cadastrado junto ao CREA e exposto na entrada do estabelecimento. Além disto, o projeto obriga o acompanhamento de um plano de manutenção dos brinquedos ao laudo, levando em conta o tempo de permanência do parque no Município.
Infelizmente, o que poderia ser um avanço em relação à segurança nos parques foi objeto de rejeição pelo Plenário da Câmara. O Projeto recebeu 22 (vinte e dois) votos à favor e 6 (seis) votos contra. Como trata de emissão de alvará pelo Município, o Projeto, para ser aprovado, precisava de 26 (vinte e seis) votos a favor. Assim, pelo Regimento Interno da Câmara, a não aprovação incorreu na ida do Projeto rejeitado para o arquivo.
Ainda recorrendo a uma retrospectiva dos fatos, em 16 de março deste ano foi emitida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas a Norma Técnica nº 15.926 de 2011, que versa especificamente sobre normas técnicas para brinquedos eletro-eletrônicos e segurança para parques de diversões iguais ou maiores àquele no qual Alessandra e Daiane foram vitimadas. Em 27 de março, onze dias após a expedição do documento, encaminhei um Projeto de Lei condicionando a emissão de alvará de funcionamento dos parques à adequação à norma da ABNT. Infelizmente, meu projeto foi devolvido, pois o Regimento Interno da Câmara exige que seja anexado a este a legislação ou norma que porventura venha a citar. Apesar de a norma da ABNT ter mais de 250 páginas, tornando o trabalho de publicação enorme, o grande impeditivo ao encaminhamento do projeto foi o fato de que a aquisição da norma é feita por meio de pagamento, a fim de proteger o direito autoral que cabe à ABNT. Caso a publicássemos no Diário da Câmara Municipal, tornaríamos público aquilo que só pode ser de conhecimento através de pagamento, por pertencer à ABNT. Pode ser um detalhe ou uma tecnicalidade que não deve ser discutida em face da preservação da vida, no entanto, estou igualmente sujeito ao cumprimento das leis, portanto, o que poderia ser uma boa idéia nem sequer saiu do papel.
Não serei leviano e dizer que os dois projetos, se aprovados, teriam poupado as vidas das duas meninas, no entanto, poderiam ser instrumentos para garantir mais segurança em parques itinerantes que hoje estão no município e amanhã podem não estar, o que faz com que tenham menor probabilidade de serem fiscalizados, incorrendo em acidentes como este da madrugada do último domingo. Resta-nos, agora, cobrar da Prefeitura a intensificação da fiscalização para diminuir ao máximo a possibilidade de outro acidente como este. Além disto, vou recolocar na Ordem do Dia de votações o projeto do ex-Vereador Otávio Leite e pedir aos outros vereadores que apóiem a sua aprovação.
Vereador Tio Carlos.